sábado, 21 de Novembro de 2009

Ironizando com a tristeza ou o postal da despedida

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Despedimo-nos a brincar, para que as lágrimas não viessem deformar as últimas imagens. Este foi um tempo de apenas começarmos algumas conversas, de irmos ao mercado e ao teatro, de reunirmos amigos. De repente, com uma vibração especial, um mês escondeu-se dentro de nós. Aí ficará, a alimentar saudades.
Bom regresso à tua cidade dos canais, meu filho.
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Tenderly (Bill Evans)


terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Escultura a várias mãos


Vitória de Samotrácia sem asas, mas com raízes?
Venus de Milo sem cabeça, mas com seiva?
Atena ou Afrodite, é deusa que a natureza criou .
E o homem deformou.
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Bizet, Adagietto de L'arlésienne Suite nº1
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sábado, 7 de Novembro de 2009

In the mood


Vesti a minha saia de godés, calcei as sabrinas brancas e com asas na memória lá fui eu direitinha aos anos 40.
E dancei, dancei, dancei. Nunca dancei tanto sentada na poltrona de um teatro!
Ao fim do espectáculo, cansada mas feliz, nem uma onda enrugava a face da minha juventude reencontrada.
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In the Mood, Glenn Miller Orchestra











segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Sobre Gatos e Palavras

"Os gatos são palavras com pêlo. Os gatos, como as palavras, rondam à volta dos humanos sem nunca se deixarem domesticar. É tão difícil meter um gato num cesto quando temos de apanhar um comboio como ir à nossa memória caçar a palavra exacta e convencê-la a tomar o seu lugar numa página em branco. Palavras e gatos pertencem ambos à raça dos inefáveis."
(Erik Orsenna, in Dois Verões)
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(Texto oferecido por uma amiga, que por sua vez o retirou de http://acreditandonotruque.blogspot.com)
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Lionel Hampton - I surrender, dear

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Poesia, sempre


Vidro Côncavo

Tenho sofrido poesia

como quem anda no mar.

Um enjoo.

Uma agonia.

Sabor a sal.

Maresia.

Vidro côncavo a boiar.


Dói esta corda vibrante.

A corda que o barco prende

à fria argola do cais.

Se vem onda que a levante

vem logo outra que a distende.

Não tem descanso jamais.

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(António Gedeão, Movimento Perpétuo)
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Vivaldi, violin concerto op.3/6



domingo, 18 de Outubro de 2009

Verões antigos


Olho esta lagoa hoje e recordo sem esforço os verões antigos. Aqueles das brumas matinais, das conversas imprudentes ao sol da tarde e dos encontros banais onde se ensaiavam inocentes jogos de sedução.



Nesse tempo a lagoa não tinha a serenidade de hoje. Era impetuosa, sôfrega, tumultuosa, como nós. E esses verões antigos, lembro-os perfeitos, imaculados e gloriosos, como a nossa juventude.


Desse tempo resta hoje este silêncio de memórias gastas, este rumor de pôr-de-sol tranquilo, belo e melancólico, este frémito de recordações longínquas, como um vôo de ave no horizonte.
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It´s easy to remember, John Coltrane Quartet




segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Matar o tempo

Que tarde mais aborrecida esta, agora que acabou a estação das eleições. Estou para aqui às voltas, sem saber que fazer ao tempo...

Só me falta lavar esta pata para a toilette estar completa. E depois, com que diabo vou eu entreter-me?

E se eu fizesse uma pequena inspecção ao pomar? Já que mais ninguém sobe às árvores nesta casa...

Por aqui parece estar tudo com ar saudável, mas nem sequer vejo um ninho. Que seca!

Espera, acolá parecem bichos a sair de uma toca. Mas são tão pequenos que mal os vejo. Vamos lá aproximar, pode ser que dêem luta!

Oh, são lagartas! Lagartas horrorosas e lentas e rastejantes a saírem de uma maçã podre! Que porcaria, nem sequer serve para caçar!

Estou muito preocupado com este desmazelo: maçãs podres cheias de lagartas molengas. Eles não sabem que uma maçã podre é para retirar logo da árvore(ou do cesto)?

Vou já fazer um relatório com recomendações à Donaminha. Isto se não é um gato estar atento numa casa de lavoura...
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My funny Valentine,Gerry Mulligan/Chet Baker