sábado, 16 de dezembro de 2017

O Porto, Serralves e tudo

 
 Ir ao Porto é sempre uma festa!


 
 Ir a Serralves é sempre indispensável!




 
E com uma exposição como a de Jorge Pinheiro é quase um dever!
E um triplo prazer!
 

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Body and Soul, John Coltrane
 
  
 

domingo, 10 de dezembro de 2017

As Resistentes


Das três folhas que restam ainda no diospireiro,
duas resistem com tenacidade ao vento e à chuva.


A outra acompanha com atenção o único fruto deste ano,
até que ele esteja pronto para ser colhido.
 
A natureza em solidariedade!

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My old flame, Gerry Mulligan Quartet with Chet Baker


domingo, 3 de dezembro de 2017

O nome do cão



O cão tinha um nome
Por que o chamávamos
E por que respondia.
 
 
Mas qual seria
O seu nome
Só o cão obscuramente sabia.
 
 
 Olhava-nos com uns olhos que havia
Nos seus olhos
Mas não se via o que ele via,
 
Nem se nos via e nos reconhecia
De algum modo essencial
Que nos escapava
 
Ou se via o que de nós passava
E não o que permanecia,
O mistério que nos esclarecia.
 
 Onde nós não alcançávamos
Dentro de nós
O cão ia.
 
E aí adormecia
Dum sono sem remorsos
E sem melancolia.
 
Então sonhava
O sonho sólido em que existia.
E não compreendia.
 
Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
Onde sempre estivera:
Na sua exclusiva vida.
 
Alguém o chamara por outro nome,
Um absoluto nome,
De muito longe.
 
E o cão partira
Ao encontro desse nome
Como chegara: só.
 
E a mãe enterrou-o
Sob a buganvília
Dizendo: “É a vida…”
 
 Manuel António Pina,“O nome do cão”,
In “Nenhuma palavra
E nenhuma lembrança”,
Assírio & Alvim, 1999

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Parfum de gitane, Anouhar Brahem


domingo, 26 de novembro de 2017

Luz entretecida

 
A tecedeira, um mostrengo;
o trabalho, uma obra d'arte!
 
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Fuga y misterio, Astor Piazzolla
 



domingo, 19 de novembro de 2017

Hesitações


- Saio? Vou ali à frente, a casa da vizinha?

 
 - Não, é melhor não ir!

 
 - É muito perigosa esta estrada, não é DonaMinha?

 
- E o ruído dos carros assusta-me tanto...
Já decidi, fico aqui por casa!
 
 
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In your own sweet way, Miles Davis
 
 
 
 


domingo, 12 de novembro de 2017

O Terceiro Corvo








O Terceiro Corvo


Oh Lisboa
como eu gostava de ser
o terceiro corvo do teu emblema…
estar implícita na tua bandeira
negra e branca
como tinta e papel
como escrita e espaço!
Ser teu desenho
tua nova lenda
invenção deste século
que já não inventa
e se interroga:
donde vieram estes corvos?
Como tu, Vicente,
eu também não sou de cá
não sou daqui
não pertenço a esta terra
e talvez nem sequer a este mundo…
Porém estou aqui
nesta dolorosa praia lusitana
cheia de um tumulto inútil
que enegrece as tuas areias
e polui o ventre do rio
que os golfinhos há muito desertaram
E olhando as nuvens dedilhadas pelo vento
sentindo a terna dor do teu sentir sentido
peço-te, Lisboa:
surge de novo bela
reinventa
a santidade perdida do teu emblema
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Ana Hatherly, in Em Lisboa sobre o mar, Poesia 2001-2010

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Verdes Anos, Carlos Paredes





terça-feira, 7 de novembro de 2017

As perdas


DonaMinha, morreu-me uma amiga, uma velha e boa amiga.
Estou muito triste, mais sozinho e tão apreensivo...
Ajudas-me, DonaMinha?

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Souvenance, Anouar Brahem