domingo, 14 de janeiro de 2018

Entre refeições

 
Que excelente ideia a tua, DonaMinha,
fazeres aqui à porta um canteiro com erva para  mim
 
 
Mas está a ficar dura! Ou os meus dentes já não são o que eram...
 
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My old flame, Gerry Mulligan Quartet
  
 


sábado, 6 de janeiro de 2018

Explosão



                                                      Um corpo
                                                      Um campo
                                                      Um pássaro
                                                                a levantar voo



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sábado, 30 de dezembro de 2017


 
Receita de Ano Novo
 
Carlos Drummond de Andrade 
 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-la na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
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Lo que vendrá, Astor Piazzolla

 


sábado, 23 de dezembro de 2017

Boas Festas!

 
Boas Festas para todos os amigos que por aqui passarem ...
e para os outros também!
 
 
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 Maria João Pires, F.Chopin, Nocturnos
 

 

sábado, 16 de dezembro de 2017

O Porto, Serralves e tudo

 
 Ir ao Porto é sempre uma festa!


 
 Ir a Serralves é sempre indispensável!




 
E com uma exposição como a de Jorge Pinheiro é quase um dever!
E um triplo prazer!
 

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Body and Soul, John Coltrane
 
  
 

domingo, 10 de dezembro de 2017

As Resistentes


Das três folhas que restam ainda no diospireiro,
duas resistem com tenacidade ao vento e à chuva.


A outra acompanha com atenção o único fruto deste ano,
até que ele esteja pronto para ser colhido.
 
A natureza em solidariedade!

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My old flame, Gerry Mulligan Quartet with Chet Baker


domingo, 3 de dezembro de 2017

O nome do cão



O cão tinha um nome
Por que o chamávamos
E por que respondia.
 
 
Mas qual seria
O seu nome
Só o cão obscuramente sabia.
 
 
 Olhava-nos com uns olhos que havia
Nos seus olhos
Mas não se via o que ele via,
 
Nem se nos via e nos reconhecia
De algum modo essencial
Que nos escapava
 
Ou se via o que de nós passava
E não o que permanecia,
O mistério que nos esclarecia.
 
 Onde nós não alcançávamos
Dentro de nós
O cão ia.
 
E aí adormecia
Dum sono sem remorsos
E sem melancolia.
 
Então sonhava
O sonho sólido em que existia.
E não compreendia.
 
Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
Onde sempre estivera:
Na sua exclusiva vida.
 
Alguém o chamara por outro nome,
Um absoluto nome,
De muito longe.
 
E o cão partira
Ao encontro desse nome
Como chegara: só.
 
E a mãe enterrou-o
Sob a buganvília
Dizendo: “É a vida…”
 
 Manuel António Pina,“O nome do cão”,
In “Nenhuma palavra
E nenhuma lembrança”,
Assírio & Alvim, 1999

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Parfum de gitane, Anouhar Brahem