domingo, 10 de dezembro de 2017

As Resistentes


Das três folhas que restam ainda no diospireiro,
duas resistem com tenacidade ao vento e à chuva.


A outra acompanha com atenção o único fruto deste ano,
até que ele esteja pronto para ser colhido.
 
A natureza em solidariedade!

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My old flame, Gerry Mulligan Quartet with Chet Baker


domingo, 3 de dezembro de 2017

O nome do cão



O cão tinha um nome
Por que o chamávamos
E por que respondia.
 
 
Mas qual seria
O seu nome
Só o cão obscuramente sabia.
 
 
 Olhava-nos com uns olhos que havia
Nos seus olhos
Mas não se via o que ele via,
 
Nem se nos via e nos reconhecia
De algum modo essencial
Que nos escapava
 
Ou se via o que de nós passava
E não o que permanecia,
O mistério que nos esclarecia.
 
 Onde nós não alcançávamos
Dentro de nós
O cão ia.
 
E aí adormecia
Dum sono sem remorsos
E sem melancolia.
 
Então sonhava
O sonho sólido em que existia.
E não compreendia.
 
Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
Onde sempre estivera:
Na sua exclusiva vida.
 
Alguém o chamara por outro nome,
Um absoluto nome,
De muito longe.
 
E o cão partira
Ao encontro desse nome
Como chegara: só.
 
E a mãe enterrou-o
Sob a buganvília
Dizendo: “É a vida…”
 
 Manuel António Pina,“O nome do cão”,
In “Nenhuma palavra
E nenhuma lembrança”,
Assírio & Alvim, 1999

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Parfum de gitane, Anouhar Brahem


domingo, 26 de novembro de 2017

Luz entretecida

 
A tecedeira, um mostrengo;
o trabalho, uma obra d'arte!
 
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Fuga y misterio, Astor Piazzolla
 



domingo, 19 de novembro de 2017

Hesitações


- Saio? Vou ali à frente, a casa da vizinha?

 
 - Não, é melhor não ir!

 
 - É muito perigosa esta estrada, não é DonaMinha?

 
- E o ruído dos carros assusta-me tanto...
Já decidi, fico aqui por casa!
 
 
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In your own sweet way, Miles Davis
 
 
 
 


domingo, 12 de novembro de 2017

O Terceiro Corvo








O Terceiro Corvo


Oh Lisboa
como eu gostava de ser
o terceiro corvo do teu emblema…
estar implícita na tua bandeira
negra e branca
como tinta e papel
como escrita e espaço!
Ser teu desenho
tua nova lenda
invenção deste século
que já não inventa
e se interroga:
donde vieram estes corvos?
Como tu, Vicente,
eu também não sou de cá
não sou daqui
não pertenço a esta terra
e talvez nem sequer a este mundo…
Porém estou aqui
nesta dolorosa praia lusitana
cheia de um tumulto inútil
que enegrece as tuas areias
e polui o ventre do rio
que os golfinhos há muito desertaram
E olhando as nuvens dedilhadas pelo vento
sentindo a terna dor do teu sentir sentido
peço-te, Lisboa:
surge de novo bela
reinventa
a santidade perdida do teu emblema
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Ana Hatherly, in Em Lisboa sobre o mar, Poesia 2001-2010

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Verdes Anos, Carlos Paredes





terça-feira, 7 de novembro de 2017

As perdas


DonaMinha, morreu-me uma amiga, uma velha e boa amiga.
Estou muito triste, mais sozinho e tão apreensivo...
Ajudas-me, DonaMinha?

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Souvenance, Anouar Brahem



sábado, 4 de novembro de 2017

Chuva, quase a mais desejada!





A natureza toda e os homens, mesmo os insanos , agradecem!
 
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 Blue in green, John Coltrane/Miles Davis

 


domingo, 29 de outubro de 2017

Outonos


 
 

O Outono cá em casa


 
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Four Seasons - Autumn, Vivaldi

 


domingo, 22 de outubro de 2017

Nostalgias



Recordando caçadas...
 
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Comme une absence, Anouar Brahem

 


domingo, 15 de outubro de 2017

Sobrevivência


De onde menos se espera...
 
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These foolish things, Charles Mingus
 
 
 
 
 


domingo, 8 de outubro de 2017

Gato escondido...

 
Não gosto nada deste vizinho:
é grande, é novo, é intrometido!
 
 
Atiro-me a ele? Fico aqui escondido?
Que dilema...
 
 
Ah, o valentão foi-se embora com medo da DonaMinha!
Ora toma! 
(e eu aprendi que gato escondido...vale por dois!) 
 
 
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Tenderly, Bill Evans
 
 

 
 
 


domingo, 1 de outubro de 2017

O Tempo


Ontem
 

Hoje
 
 
Amanhã
 
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Blue in green, John Coltrane/Miles Davis
 


domingo, 24 de setembro de 2017

Animal e vegetal

 
Tronco prolongamento de tronco.
Animal e vegetal, partes de um todo.
 
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Sweet and lovely, Thelonius Monk/John Coltrane
 


domingo, 17 de setembro de 2017

Nada é perfeito


Bem-me-quer com cicatriz. Nem por isso menos belo!
 
 
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domingo, 10 de setembro de 2017

Haja saúde!

 
O peixe faz bem saúde??????????????????
O peixe faz bem! Haja saúde!
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These foolish things, Charles Mingus
 
  

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Uma força da natureza

 
DonaMinha, olha como eu estou ainda em forma!
Até já consegui inclinar um pouco o pinheiro..
Vê lá se agora deixas de me chamar velhote.
 
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Sweet and lovely, Thelonius Monk/John Coltrane
 
 
 


 

domingo, 30 de julho de 2017

O meu querido mês de AGOSTO



Bom descanso e até Setembro
 
 
 
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domingo, 23 de julho de 2017

Tempo de Verão




Tempo de verão, tempo de migrações...
( ou o instinto gregário!)
 

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Summertime, Charly Parker






domingo, 16 de julho de 2017

A cabra cega

 
Responde à voz da dona, cuida do seu filhote sem enganos.
 Vê mais que muito boa gente!
 
 
 
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domingo, 9 de julho de 2017

Campo de Trigo


Não é um Millet antes de chegarem as ceifeiras
e, depois, as respigadoras.
 É um campo de trigo aqui mesmo ao lado.
Viva o verão e o pão!
 
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domingo, 2 de julho de 2017

As Florestas e os Ventos

 
As Mãos e os Ventos
 
Das palavras amordaçadas em nossos lábios roxos
nascerão ventos,
nascerão ventos.
 
E nascerão mãos
para conduzir os ventos.
 
(in As Mãos e os Ventos, Papiniano Carlos)
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terça-feira, 27 de junho de 2017

É A DOER

 
 
É a doer, tem de ser a doer, morreram 64, ardidos, queimados, a fugir, sufocados em chaminés, encarcerados em carros sobre um talude onde até as jantes de liga leve derreteram( mas a quantas centenas de graus derrete a liga leve?), 64 até agora e provavelmente serão mais, há feridos graves e ainda andam a bater às portas a perguntar se falta alguém, 64 mortos têm de fazer isto andar, tem de ser a doer, não precisamos de chorar mas precisamos do choque, ...
...limpe as lágrimas mas abra os olhos, veja o que há, reveja o que houve, choque-se uma semana depois, muitas semanas depois, choque-se enquanto for preciso, daqui a nada já ninguém bate à porta daquela gente e os esquecidos voltam a ser esquecidos, o Estado volta a falhar ao país, aos mais pobres, aos isolados e esquecidos, porque a vida continua, os vivos continuam, mas se tudo continua como sempre continuou então 64 mortos serão a lápide arrefecida e não vamos lá, não vamos a lado nenhum, ficamos sitiados até à próxima, num até sempre para eles que é um até nunca para nós, é por isso que tem de ser a doer, a doer, a doer, para termos a dignidade de nos indignarmos, para forçar, exigir, ver fazer, ver viver, lá na tragédia que o tempo fará parecer longe, como se não tivesse sido aqui, como se não tivesse sido connosco, como se nós não fôssemos nós.
 
(excerto do artigo de Pedro Santos Guerreiro "É a Doer", primeiro caderno do Expresso de 24/06/2017, pag. 02)
 
 
(sublinhados meus)
 
(indignada, de olhos enxutos mas abertos)
 


domingo, 25 de junho de 2017

Frutos da época




 
São feias, são imperfeitas, mas são as melhores nêsperas do mundo!
 
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domingo, 18 de junho de 2017

Animal e vegetal



Explosão de cor com gafanhotos pousados ...
 
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domingo, 11 de junho de 2017

Eugénio e os gatos

 
 Em estilo amável

Chega ao fim o verão, resta-me agora
a poesia a caminho da prosa.
pelo lado matinal
um gato pé ante pé aproxima-se
de um pardal saltitando
entre as folhas amarelas. "É o meu coração,
a luz é o meu coração", diz ele, e salta,
voa na tarde. O mar
recua, uma criança vem vindo pelo molhe,
canta canta por cantar.

Um velho traz o céu
azul pela mão, olha de soslaio
os rapazes ao passar. Afável,
distraído, simples de espírito,
Como deus. E como eu.

(Eugénio de Andrade in Os Dóceis Animais)

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domingo, 4 de junho de 2017

O Tempo


"Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta,
 eu sei;
mas se quiser explicar a quem me indaga,
 já não sei".

(citação de frase de Santo Agostinho, no artigo O Tempo, Maldito e Bendito, de José Tolentino Mendonça no Expresso de 03/06/2017)

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Envelhecer


DonaMinha, parece que estou a ver tudo desfocado, já nem sei
se os vultos no jardim são cães, gatos ou pássaros grandes!


E ontem, imagina, falhei um salto para o terraço...que vergonha!
A partir de agora tu e o FazdeDono têm de me ajudar, está bem?
 
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 In your own sweet way, Miles Davis

 

domingo, 21 de maio de 2017

A história do maracujeiro luso-holandês

 
As sementes, trazidas da Holanda por mão jardineira,
foram deitadas à terra com pouca convicção.

 
Afinal germinaram, vieram à procura de luz,
transformaram-se em pequenas trepadeiras.
Foram crescendo, enredaram-se na parede,
aconchegaram-se ao espaço.


Resistiram às geadas do inverno,
mantiveram-se vestidas de folhas verdes,
chegaram adultas à primavera deste ano.
E deram flores!



E das flores surgiram os primeiros frutos,
que hão-de amadurecer em breve.
Este ano vamos descobrir a que sabem
 os maracujás luso-holandeses!
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domingo, 14 de maio de 2017

Na Toscana - Florença



 
 
 
 
 

 

 
 

 
 

 
 

  



 
Cidade reinventada pelos Medici a partir do século XV, berço do Renascimento italiano, é um museu a céu aberto. Esculturas dos maiores  em cada esquina, catedrais e palácios que são obras de arte recheados de obras de arte dos melhores. Paraíso dos viajantes culturais, não fossem as gigantescas multidões de turistas que se apressam, tudo olham e nada vêem!
Florença é uma enciclopédia que se folheia rua a rua,
 casa a casa, museu a museu, esquina a esquina.
E a emoção sentida em frente de cada obra de arte é uma quase embriaguez de beleza...