domingo, 18 de dezembro de 2016

Nas Festas do Solstício Invernoso





O ANO EM QUE O CALENDÁRIO AVARIOU

Foi numa noite de Natal.
Estávamos em maio mas não fazia mal,

tinha havido uma avaria no calendário
e naquele ano saiu tudo ao contrário:

o Natal em maio, a primavera em novembro,
o 1.º de abril a 22 de setembro.
Eu que tenho mais de 100 anos não me lembro

de ter feito tanto calor como em dezembro.
Houve semanas com cinco dias, outras inteiras,

 uma em julho teve 16 segundas-feiras!
Até houve a semana dos nove dias.
Muitas promessas foram naquele ano cumpridas!
Foi um ano tão maluco,
tão completamente bissexto,
que para muitos serviu de pretexto
para trocar as voltas ao calendário
e festejar todos os dias o aniversário.
Naquele ano espantoso
cada um podia ter à vontade
as suas manias
porque todos os dias
eram todos os dias.
Eu que não sou menos que os demais,

 naquele ano tive vinte natais.

(Manuel António Pina)

Boas Festas

.
Sur l'infini bleu, Anouar Brahem


13 comentários:

ParadoXos disse...

Com um abraço do Heduardo
da Paradoxos :-)

Luis Filipe Gomes disse...

Boas Festas Justine!

Majo Dutra disse...

Um poema de Natal diferente e bizarro.
Dias confortáveis e amorosos, MJ.
Uma música de cordas muito nostálgica...
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

anamar disse...

Que presente maravilhoso.

Penso que vou partilhar para o FB de tão belo que é eate poema de MP. Não conhecia.

Querida amiga, saudades de te falar. Penso que deixei mensagem privada no FB ou por aqui te pedi para me enviares mail, pois tenho vários teus e não sei o verdadeiro.

Queria-te enviar algo em privado.

beijinhos para ti e Sergio.
Boas Festas e Ano de 2017 com saude e muitas viagens.

beijinho amigo ,
Ana

Duarte disse...

Que bom que seria, por mim encantado, não pelos vinte natais, porque não quero nenhum, mas pelo bom tempo.
Aqui chove, curiosamente.
Abraços de vida, querida amiga.

Com dor... disse...

Gostei muito. De tudo. De sobretudo e tudo, apesar de ter decidido que é dia de tomar banho na piscina descoberta porque estou no verão. Veremos...
Mas sinto uma certa dor. No cotovelo. Queria ter sido eu a escrever o que o MAP escreveu tão bem. Também estava mesmo para ver se mostrava uma coisa parecida. Embora, claro, ninguém lhe ligasse nenhuma. Nem jornais, nem livros, nem blogs como este. Tão bem bom.
Paciência. Mas que eu tenho assim (+ ou -) um calendário no meu diário (que não tenho... porque é mais ou menos semanário) lá isso tenho. Lá!
E tenho dito.

Graça Sampaio disse...

Que maravilha de poema - que não conhecia!! Só mesmo o nosso querido e saudoso Manuel António Pina para desdramatizar, para mandar as lamechices às urtigas!!

Adorei ler!

Boas Festas! Agora ou em Maio, ou em Setembro...

Benó disse...

Que todos os dias sejam dias de aniversários. O Natal será sempre quando o homem quiser. O estar vivo já é digno de comemoração. Digo eu que já tenho muitos anos.
Um Bom Natal, minha amiga.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Obrigado. Igualmente para si.Sem esquecer que Natal é quando um homem (ou uma mulher, ou ambos) quiser.

jrd disse...

Um poema belíssimo.
Votos de boas festas e feliz ano novo.
Um abraço

Maria disse...

Abraços por aí. De festas boas.
Saudades.

bettips disse...

Muitas saudades e beijos para vós. Que o calendário tenha muitas férias de Agosto e gente amiga no pátio, festejando a amizade.

Sempre este poeta singular, lembrando o Porto, a sua bem disposta ironia nortenha.

Clarice disse...

Amiga, nem esse poeta tão inspirado e intenso conseguiria traduzir o que foi 2016 para o Brasil. Parece que não termina nunca. Mas de tudo que se espreme resta pelo menos a casca.
O mundo está mais doido que nunca e nós resistimos. E fazemos festa pelo que ainda resta de bom.
Tua amizade é o extrato, o perfume da casca do limão, se posso dizer assim.
Serenos dias em 2017!