domingo, 20 de outubro de 2019

As saudades e até para o ano


Todos os anos, em Agosto, os pais deixavam-nas lá, no campismo. À guarda de uma amiga de confiança, pois pareceria mal duas meninas ficarem sozinhas em férias. E as duas irmãs, com a conivência da amiga de confiança, que nelas confiava, de manhã nadavam na lagoa, passeavam até à aberta, combinavam encontros no Inatel à tarde com amigos de muitos anos, para um refresco ou um gelado. Era le temps de l’amour, le temps des copains et de l’aventure. E à noite, à luz das estrelas, era tempo para se inventarem histórias sobre a casa que fora envelhecendo à medida que as meninas se tornavam jovens, mas que nunca deixara de as fascinar.


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Yesterdays, Miles Davis



 

5 comentários:

Sam Seaborn disse...

Os encantos das longas férias de verão... que saudade...

Bom início de semana

M. disse...

Quando se recorda revive-se ou morre-se um pouco mais? Não sei. Uma desabituação de nós? Quem me dera ter a resposta.

Rui Fernandes disse...

Na realidade, quero dizer, na realidade real, os lugares não existem. Os lugares são seres de ficção, como antigamente se dizia; dizendo melhor, são seres virtuais, seres digitais, que decorrem, não de quarks e electrões, mas de substâncias químicas que se vão somando e subtraindo nas nossas sinapses. Os lugares esclarecem-nos os dias e ensombram-nos as noites, e tendem a esconder-se no passado. E com eles se vai tudo o que fomos e que julgámos vir a ser. Viajam connosco como ratos no porão. E nós arrastamo-nos nas marés do tempo ao sabor de vontade nenhuma. Ao sabor dos elementos, dizemos nós, que gostamos de dizer e acrescentar coisas. A amizade e a saudade dos amigos são as únicas coisas que nos amarram à realidade, se me permites dizer, real. Beijinhos.

Rosa dos Ventos disse...

Belos tempos que a memória não atraiçoa!

Abraço

Anónimo disse...

"... quand le temps va et vient
on ne pense à rien
malgrè ses blessures..."
Bjinho
B