terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mil vezes esta pedra


 
Mil vezes esta pedra, mil vezes este mar.
Mil vezes aqui estive e mil vezes voltei.
Saber de um tesouro que há-de haver.
Saber-lhe o brilho, o cheiro, a vastidão.
E não saber. Uma janela entreaberta,
um muro inacabado, um cabo por dobrar.
No fio da inquietação, uma batida,
um compasso de tempos muito antigos,
antes das grécias, dos dilúvios. Antes.
 
 
(in Os Sítios, Licínia Quitério, edição de autor)
 
 
.
Valsa para piano nº7, Op.64, F.Chopin (V.Ashkenazy)


20 comentários:

Clarice disse...

E acada visita haverá algo novo a ser descoberto. Porque nós estamos diferentes a cada visita também.
Belas palavras e bela paisagem.

Pitanga Doce disse...

Concordo com a vizinha do Sulll, Clarice. Voltamos aos mesmos lugares e não somos mais os mesmos e às vezes, nem a paisagem é.

Beijos, menina Justine. Aqui, chuva fina e um feriado injustificado. A tua paisagem preferida, vista do terraço do Botafogo Praia Shopping está, hoje, tomada pela névoa.

João Roque disse...

Achei curioso o princípio deste poema - mil vezes esta pedra - pois aplica-se àquela pedra de que falo no meu último post, o monólito do filme "2001-Uma Odisseia no espaço".

Rosa dos Ventos disse...

Tão bem escolhido o poema para esta imagem!

Abraço

Graciete Rietsch disse...

Tanta beleza!!!!!

Um beijo.

lino disse...

Lindo poema de uma autora que não conhecia!
Beijinho

Maria disse...

A nossa praia, a nossa lagoa, Justine!
Mil vezes aquela pedra, apesar de estar a cair.
Ansiosa por ter o livro da Licínia entre mãos. Para o poder cheirar!
Beijinho.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Mil,vezes asei por aqui e sempre admirei as tuas escolhas, Justine!
Excelente a conjugação da foto com o texto de uma autora que desconhecia.

no sítio certo disse...


Os tempos (e os lugares)?
Em que medida (onde)? À medida de quem?
Mil vez... quanto é? Para quem?
Ser poeta é interrogar-se sobre o tempo que se vive e viveu. Há mil anos?
Antes!

Gostei. Do conjunto.
Abreijos (o abraço é para o Chopin...)

São disse...

Gostei do poema, da foto e da música...e gosto de te saber companheira!

Bons sonhos

Mar Arável disse...

Boa partilha

Benó disse...

Justine, escolheste o mesmo poema que eu escolhi e que publiquei na minha página do FB.Só a foto é diferente, evidentemente. Achei-o delicioso.
Um abraço para ti.

jrd disse...

Mil vezes que são como milhões.

Abraço

Lilá(s) disse...

Excelente poema e imagem!
Bjs

as-nunes disse...

Há sítios assim, onde uma pessoa se sente bem, a olhar, deixar o tempo passar...
Simplesmente...

Um abraço, Justine

ONG ALERTA disse...

Pedras são retiradas do caminho, beijo Lisette.

jawaa disse...

Uma belíssima imagem a interpretar um poema da mesma qualidade.
Parabéns pela escolha, também da música, e pela divulgação.
É a «nossa» Licínia do PPP, certo? É que às vezes pareço desatenta (não pareço, sou, estou.)mas lembro que ela lançou há pouco tempo.
Vou ver disso.
Um abraço

Armindo Carvalho disse...

O mar está-nos na pele; é a nossa matriz; o nosso ID.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Volto só para responder à tua pergunta lá no CR.
Não creio que sejamos, alterno a morada entre o Lumiar e o meu rochedo estorilense. A opção pelo Fonte Nova, foi por ser o único "livre de pipocas" onde o filme estava a ser exibido
Beijos

bettips disse...

Escrita tão feminina, a nossa andorinha de Mafra... volta e volta.
(a propósito do Poema 7.)
Também este lugar onde se volta e há tanta água - até a ilha no horizonte!
Lindíssimo.