domingo, 4 de novembro de 2012

Numa aldeia de granito, pela mão de uma amiga


Distraída, comecei por ouvir o som dos chocalhos, e senti-me recuar meio século, ao tempo das férias sem regras nem fim,
 em casa da tia Aurora.


Dobrei, pé ante pé, a esquina da casa, quase com medo de desfazer o salto no tempo,
 e encontrei-as a beber na fonte.


Depois, pachorrentamente, vieram elas  para a frente da casa,
 e ficámos a conversar como velhas amigas.

Ali estava a minha infância , intacta, à frente dos olhos!
.
Time on my hands, Sonny Rollins and The Modern Jazz Quartet


20 comentários:

Pitanga Doce disse...

Foste ao Minho, Justine? É por lá que o passado persiste assim.

Luis Filipe Gomes disse...

Parecem arouqueses. São animais lindíssimos, muito poderosos e muito pacíficos... Como os portugueses.

testemunha ocular e auricular disse...

Muito bem porque muito bela a escrita, a música, as fotos, os modelos. Obrigado pelo momento de desfrute a ouvir, a (re)ver, a ler: "... tempo das férias sem regras nem fim...", "...medo de desfazer o salto no tempo...", "... a infância, intacta, em frente dos olhos...".

Mas, noutro registo, não achas, filóloga, que estás a exagerar? Depois do alemão e de outras línguas humanas, o gatês e agora também a língua vacum?

lino disse...

Quando nos tiram o viver que possamos ao menos reviver!
Beijinho

João Roque disse...

Gostava de saber o nome e local da povoação.

as-nunes disse...

Pois é, Justine, quem se remete à vida urbana ou aos arredores das grandes urbes, não tem tempo para recuar o tempo necessário para perceber o que lhe está a acontecer. Quantas décadas de retrocesso nas suas vidas, em pouco mais dos
últimos 3 anos!

E se conseguirmos ficar ao nível de vida dos anos 50 do séc. passado se calhar, mesmo assim, será muito para os novos senhores que se preparam para ocupar o nosso país!
Só quando estivermos completamente dependentes da Finança Internacional de forma a aceitarmos a escravatura pura e dura é que eles se vão dar por satisfeitos!

Mesmo assim antes vivermos como viviam os nossos avós do que este trato degradante a que nos estão a sujeitar!


Graciete Rietsch disse...

Eu nasci no Porto e sempre vivi no Porto. Mas ia, algumas vezes, a Castelo de Paiva, a terra da minha avó materna, e a Fiães onde vivia uma irmã da minha avó. E sabes qual a recordação mais intensa que tenho desses longínquos tempos? O cheiro que ao fim da tarde se desprendia das chaminés, enquanto as pessoas cozinhavam e se aqueciam junto à lareira!!! Era um cheiro tão bom, tão natural!!!!!
E só mais uma coisa. Como o teu post me faz recordar a "Morgadinha dos Canaviais" que,quanto a mim, não é só bucolismo, apresenta também o antagonismo entre a burguesia(bem intencionada, acho eu, do tempo do liberalismo), os ricos ou enriquecidos sabe-se lá bem como e a miséria apresentada através daquela criancinha a abrir a porta ao senhor,enregelada e descalça, numa noite de dezembro, "de sincero e genuíno dezembro" .
Da música só posso dizer que gosto muito e enquadra muito bem o texto.

Um beijo grande.









Mel de Carvalho disse...

são momentos inexcedíveis, estes em que nos reencontramos com o que de mais simples, e mais genuíno, Portugal nos oferece...

por mim, e cada vez mais, busco o equilíbrio, a paz, a tranquilidade, no que a vida me ofereceu: a minha casita simples, mais velha do que eu mesma, casita de aldeia (chamam-lhe Vila, agora ...modernices...),onde os animais ainda podem andar à solta. gatos, galinhas, cães...

obrigada, Justine. um beijo saudoso
Mel

Mel de Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
trepadeira disse...

Pois,como camponês empedernido,vivi sempre no monte,assim meio selvagem,com raras,e curtas, incursões urbanas.Nem me adaptaria longe dos bichos.
Recordei as fraldas do Gerês.

Um abraço,
mário

O Profeta disse...

São mudas as neblinas nesta ilha
É de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
Oiço o mar com os meus próprios dedos
Parti do desencontro dos meus derradeiros medos

Parti e deixei no cais mil dúvidas
Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
Nesses dias bebi sofregamente a vida
Nesses dias a minha alegria era incontida

Uma radiosa semana


Doce beijo

greentea disse...

estive numa aldeia a modos que assim ... embora já não haja vacas por lá.
Mas havia castanhas com fartura e alguns míscaros/tortulhos.
É tão agradável !!

Lilá(s) disse...

Gosto muito dos ambientes de aldeia, mas dispenso o encontro com essas simpáticas...
Bjs

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Como eu gosto de "me perder" por estas aldeias, Justine!

OUTONO disse...

...momentos de momentos, olhares de momentos....em momentos simples e emotivos.
...tenho tantas saudades de encontros d'aldeia...com dois dedos de conversa!

Clarice disse...

Que doces lembranças. As tuas e as minhas, pois visitava meus tios e alimentava essa paixão pela natureza que me acompanha até hoje.
Abração.

anamar disse...

Acontece a todos nós...

Beijo amigo

:))

Duarte disse...

Aquelas pedras imensas, encaixadas quem sabe como, por onde silva o vento...
Imagens cheias de vida que por vezes parece impossível que sejam reais. Também as vi á dois anos em Refonteira, em terras da Maia... parece que não passou o tempo!
Um abraço bem grande

R. disse...

Momentos impagáveis de invasão, que nos transportam contigo e momentaneamente nos capturam também para um tempo e espaço de bem-estar.

Um abraço enorme, saudoso e grato pela satisfação do reencontro que aqui se proporciona.

M. disse...

Como aprecio este teu desfiar de memórias!