domingo, 29 de junho de 2014

Poeta



POETA

Lembras-te, Mãe
do menino que perdeste
e que ficou...
do menino que ficou
mas que fugiu...?

Anda agora pela vida...

É o poeta dos olhos molhados
do sorriso triste
dos dedos longos...

Anda agora pela vida...

E um dia, Mãe
ele há-de voltar
novamente,
para lhe aqueceres as mãos frias
e chorar com ele as ilusões perdidas.

Entretanto
deixa-o sofrer mais algum tempo...
João José Cochofel
(1919-1982)


.
Romance from Eine kleine Nachtmusik, Mozart, Berliner Philharmoniker (Karajan)

18 comentários:

lino disse...

Estamos quase todos como o poeta!
Beijinho

Rosa dos Ventos disse...

E lá fiquei eu de olhos cheios de água e de mágoa! :(

Abraço

Graça Sampaio disse...

Muito belo! Muito triste!
Tantas mães com os olhos rasos de água...

Isabel Lourenço disse...

Estamos todos (todas as mães como nós)unidas no mesmo sentimento!
Beijinhos

Graciete Rietsch disse...

Tanta alegria mas tanto sofrimento traz ser Mãe!!!!!
Que será dos nossos meninos, filhos netos, bisnetos, neste mundo de angústia e de armadilhas.
Um abraço de muita ternura para todas as mães que sofrem.

Um beijo grande para ti.

anamar disse...

Beijo e boa semana.

Ana

anamar disse...

Beijo e boa semana.

Ana

Luis Filipe Gomes disse...

Não é possível dizer alguma coisa mais. Faço silêncio.

um pai ma(s)terno disse...

Que belo conjunto: a foto, o poema do Cochofel, a música, a escolha (materna)

Anónimo disse...

Só poderia vir a propósito, na lassidão da ternura. Que esta coisa de sentir a "maternidade" é contagiante.
Bjinhos da bettips, às mães e avós de hoje de que a história não fala...

Lilá(s) disse...

E lá me emocionei...~
Bjs

greentea disse...

lindo o poema e a alusão: os filhos que partem assim , voltarão sempre para os braços da sua mãe, estarão sempre com ela , sabe-se lá os motivos que os levaram a partir ...

Duarte disse...

Saiu da linha... é gaivota!
Ternura de mãe e dureza no verso...

Abraços cargados de sentimentos...

João Roque disse...

"Coisa" tão linda, caramba...

jrd disse...

Uma conjugação perfeita.
:)

OUTONO disse...

Emotivo e belo!

M. disse...

Lindíssimos, poema e fotografia.

Carmem Grinheiro disse...

Boa tarde, Justine.
Profundo poema.
Ser mãe de poeta que se ausenta por andar pela vida não será tão penoso como ser mãe de filho ausente, quando presente.

Abço