terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Aquela casa...



Aquela casa era o encanto da menina. E também a sua inquietação. Imaginava os longos corredores vazios, onde poderia andar de triciclo com a irmã, em corridas sem paragem. Imaginava os muitos quartos, onde, com os primos, jogaria às escondidas sem nunca ser encontrada. Mas havia também os sótãos, cheios de mistérios, de bichos e, quem sabe, também de alguns fantasmas. E pensar nisso fazia medo, até provocava pesadelos em algumas noites mais agitadas.

 Mais tarde, a jovem mulher perguntava-se, ainda com uma curiosidade quase infantil, como seria possível manter organizada aquela infindável casa, quem seriam as pessoas que a habitavam e, acima de tudo, desejava, uma vez que fosse, acordar uma manhã naquele terraço virado à lagoa, em que bastava apenas virar o pescoço e tinha-se tudo: o mar, o morro, a povoação do outro lado e, ao longe, as duas ilhas.

Hoje, a idosa senhora cada vez com mais assiduidade recorda a sua infância e juventude,  e a casa misteriosa, como um ser vivo, continua a exercer um sortilégio que, crê ela, nunca se desvanecerá.

Aquela casa foi o romance da sua vida…
 
.
Yesterdays, Miles Davies
 
 


10 comentários:

visitante assíduo disse...

Excelente regresso...
Esperam-se "posts" alimentados pelas férias.

Rui Fernandes disse...

A casa são muitos recantos esquecidos cá dentro. Com o tempo, o living room mingua, alargam-se os sótãos e as caves.

Mar Arável disse...

Tantos são os apeadeiros da nossa casa

Bj

Duarte disse...

Aquela casa, como muitas outras casas, que nos marcam, que nos deixam saudades...
Abraços de vida

Majo disse...

~~~
~ Muito interessante o teu conto, MJ.

Compreendo-o muito bem, pois há casas
que não esqueço por me terem fascinado.

Encontro sempre, por aqui,
música de qualidade e raro bom gosto...

~~~ Beijinho amigo. ~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

anamar disse...

Já habitei, em adolescente uma casa imaginada...

É um sonho.

Bj

Pitanga Doce disse...

Nos antigos caminhos que andei, lá pelos lado da serra, havia uma casa assim. Ficava no meio de um jardim abandonado e era alvo de histórias e lendas para as crianças que juravam ter visto alguém estranho em uma das janelas de vidro quebradas. Para mim era alvo de devaneios, de querer saber quanto de amor foi vivido e sofrido por ali. Era triste mas era bonita.

boa tarde e beijos pitangueiros, Justine.

Anónimo disse...

Se nos espreitamos e vemos, é como ver "uma casa" amiga! Clara e incólume.
Bjinhos aí
Bettips

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Também "tive" uma casa assim.
Boa semana

São disse...

Bom regresso!

Feliz Fevereiro :)