domingo, 7 de outubro de 2012

Protesto - II



De Semântica
 
 
Recentemente
na fábrica
melhoraram muito
as relações humanas.
Agora, por exemplo,
ao tirar-se o prémio semanal
a uma operária
por uma mistura de fios,
por exemplo,
ou por qualquer acto menor de indisciplina,
já não se diz impôr um castigo;
diz-se:
estimular o sentido
de responsabilidade.
 
(Miguel Martí i Pol)
(tradução de Manuel de Seabra)
 
 
Something I dreamed last night, Miles Davies
 

 


19 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Realmente são coisas de semântica mas que magoam ainda mais.
Valha-nos a tua música, que nos conta tantas histórias semelhantes,
mas que nos acorda os sentimentos.

Um beijo.

jrd disse...

Da semântica e da canalhice.

Abraço

obrigado a disse...

Semântica exige consulta ao dicionário. Não por desconhecimento mas para melhor conhecimento. No que estã aqui à beirinha escontro abatracto e concreto, descubro valores de verdade, o que as palavras semeiam e o que elas escondem ou pervertem.
Aquilo a que tu, as tuas fotos e palavras escolhidas ou inventadas (e o Miles Davies) me obrigam!

São disse...

E também já não existem trabalhadores /as mas sim colaboradores/as...

Um bom resto de domingo

Sara disse...

É caso para dizer: com a semântica me enganas! Mas nem tudo é matéria para múltiplas interpretações: uma injustiça É uma injustiça. E a justiça não deveria depender da semântica, como acontece quase invariavelmente nesta terra.
Boa semana!

lino disse...

Pois!
Beijinho

Maria disse...

Não é só uma questão de semântica...
;)

Beijinho.

Benó disse...

Passei para te ver . Fiquei a ouvir Miles.
Vou indo e desejo-te uma ótima semana.

João Roque disse...

Eu estou farto da semântica deste governo.

Luis Filipe Gomes disse...

A concepção de uma sociedade segregada em castas traz um cheiro a putrefacção que esse paternalismo semântico não consegue desodorizar.
O tempo do vigiar e punir após a letargia cíclica do quanto pior melhor, está de volta.
Num género de fábricas modernas de desresponsabilização e adiamento chamadas "Call Center", premeiam-se trabalhadores com chupa-chupas e embrulhinhos com caixinhas surpresa tipo quermesse. A indignação e a liberdade têm dias marcados no "casual day", no dia louco da gravata, no dia do chapéu, no dia da "t-shirt", no dia...
Se na exploração tradicional se subtraíam o esforço físico, o esforço mental, o tempo de descanso e lazer agora pretende-se ir mais longe e subtraír o último reduto de liberdade individual que é o mundo onírico.

Duarte disse...

Assim é, e com a semântica vamos criando, na aparência, certas ocupações que ocultam realidades.
Na nossa terra é um mal de sempre. Quando um começava engenharia já queria que lhe chamassem engenheiro. Como isso muitas coisas mais.
Assim como no sentido inverso. Como é o caso que mencionas, mas neste caso em prejuízo do SER. Uma infâmia!.
Um grande abraço, querida amiga

Graça Sampaio disse...

Tudo em nome da imagem! É preciso ludibriar a realidade escondendo-a atrás de "novas" palavras. Estupidez!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Semântica não rima com arrogância,mas anda lá perto...

greentea disse...

semântica ????????????
não me lembraria de lhe chamar assim !!

Anónimo disse...

Onde estou não oiço a música.
Mas o texto é admirável.
A minha ausência foi longa, mas é uma dávida vir aqui.
Abraços.

Zé.Viajante

Rosa dos Ventos disse...

Valha-nos a música já que esta semântica não nos convence!

Abraço

Clarice disse...

Os macacos diriam que isso é ser civilizado. Já os prêmios sempre serão uma discrepância preconceituosa.
Beijos.

Humana disse...

enfim, justine: a perfídia de alguns jogos de palavras. e aparentemente não haverá - ou haverá - relação com este teu post, mas dou comigo a pensar, constantemente, em "le bon matin", um filme que vi no passado domingo.
um abraço grande.

jorge esteves disse...

'O crime será maior se afivelar a máscara da virutde', cito de cor, Shaskespeare no 'Mercador de Veneza'.
abraço.