sábado, 29 de junho de 2013

Vidas ignoradas

 
 
Lá vai ela, buscar à bica da aldeia a água de que precisa em casa para esse dia. É um dos seus gestos diários de luta e de sobrevivência. Sem revolta. Sem perder a alegria.
Amanhã voltará a repetir tudo.
Dir-se-ia uma cena de uma aldeia africana no século passado – mas não, é a realidade são-tomense no começo do século XXI!
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Beethoven, Sonate Op13, Für Elise

17 comentários:

Luis Filipe Gomes disse...

A realidade portuguesa era assim ainda há 30 anos não só no interior mas também nas grandes cidades.
O que é lamentável é que muitas dessas nascentes, e fontanários se perderam. Umas foram desviadas, outras deliberadamente fechadas; umas por incúria secaram ou ficaram contaminadas com os lixos modernos da civilização: pesticidas, restos de medicamentos, moléculas tóxicas indeterminadas de toda a espécie...
Se por alguma razão faltar a energia eléctrica, muitos dos locais que têm abastecimento público de água deixam de ser abastecidos pois as bombas que empurram a água deixam de funcionar.
Da imagem apenas lamento que a tarefa não seja mais suavizada e que seja o seu corpo a sofrer a carga.

Rosa dos Ventos disse...

Que pelo menos não perca a alegria e que a água canalizada não tarde!

Abraço

Graciete Rietsch disse...

E a busca pela água e pela sobrevivência continua. Mas a revolta tem que aparecer, com luta, embora com a alegria corajosa de todos os que querem um mundo diferente. Belíssimo acompanhamento musical que eu até já toquei,quando era muito nova e andei a aprender a tocar piano. E sempre fiquei a admirar Beethoven.

Um beijo.

Mel de Carvalho disse...

minha boa amiga,

esta ainda é uma realidade, algo parecida, com a que se vive a escassos quilómetros de lisboa, também, e no séc. XXI... a pobreza existe e persiste, paredes meias com condomínios ditos de luxo. uma incursão pelo imobiliário revelou-se condições de habitabilidade que, acredita, julgava há muito extintas.

beijinhos e bfs
Mel

ONG ALERTA disse...

Infelizmente ainda é assim...
Beijo Lisette.

Lilá(s) disse...

É uma realidade que custa a creditar!
Bjs

João Roque disse...

Muito acertada a escolha do título da postagem, pois confrontados diáriamente com os nossos próprios problemas, e que não são poucos, ugnoramos tantos e tantos problemas e carências de outros.

Este é dos mais belos pequenos "apontamentos" de Beethoven...

Duarte disse...

Lamentavelmente, não só na África próxima.
Imagino que será nas áreas rurais, que numa ilha assim são quase todas.
Mesmo assim é indigno que, nesta data do calendário, as coisas ainda estejam assim.
Menos mal que ela não perde o sorriso nesse dia a dia rotineiro.
Um prémio à perseverança.
Abraços com saudades, muitas!

greentea disse...

se ela só tivesse que ir buscar água ao fontanário ...
e a cultura da terra que lhe pertence, e a moagem da farinha para comer, os preparos da cozinha, o servir o marido , o tratar dos filhos...elas que não seguem ao lado deles, mas atrás, sempre atrás com a trouxa da roupa OU DA LENHA ou da comida às costas , fora o filho enrolado nos panos !!!
são outras vidas , outras formas de estar ...

jrd disse...

A herança colonialista ainda não conseguiu acabar com a sede dos povos.

Pitanga Doce disse...

Não se revoltam porque não conheceram nada diferente. Com diz a Greentea, são outras formas de estar. Seguirão servindo sempre e tão somente. Infelizmente.

beijos Justine

anamar disse...

A falta de justiça social.
Abracinho

São disse...

Que herança deixou Portugal nos séculos de colonização?

Boa semana

Paula Rodrigues disse...

vivemos num mundo de varias realidades

Jinhos
Paula

alfacinha disse...

a realidade é crua
Van Beethoven alivia
cumprimentos de Antuérpia

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não só saotomense, mas também de muitas outras paragens, especialmente africanas...

Armindo Carvalho disse...

Certamente, o século XXI é que ainda não chegou a todo o lado. Deve-se relacionar-se com a teoria dos mundos paralelos.