domingo, 27 de maio de 2018

Lisboa, dois arquitectos e alguns poetas




 


 
Alguém diz com lentidão:
"Lisboa, sabes..."
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
 
Eu sei. E tu, sabias?
 .
(poema de Eugénio de Andrade, citado em Lisboa, cidade triste e alegre de Victor Palla e Costa Martins.
Eposição patente no Museu da Cidade. As fotografias aqui mostradas - com excepção da primeira - encontram-se expostas e fazem parte da selecção dos dois autores aquando da edição do livro)
.
Verdes Anos, Carlos Paredes


 
 
 
 

7 comentários:

Luis Filipe Gomes disse...

Belo!

bettips disse...

Demasiado real, este preto e branco de uma cidade tão tão longe do interior. Eugénio era um sábio-poeta.
Bjs

Teresa Durães disse...

Só podia ser Eugénio de Andrade. Fotografias lindas mas eu sou suspeita, adoro Lisboa antiga

Duarte disse...

Mas que ambiente!
Escutar o trinar duma guitarra ao ler um poema assim e contemplar imagens como essas, tão nossas, só posso dizer que tenho... SAUDADES.
Abraços de vida, querida amiga

jorge esteves disse...

Curioso que nunca vi juntar Eugénio de Andrade a Carlos Paredes. Ao calhas vai-se a ver não há nada para ligar quando tudo já nasce ligado...
Abraço.
jorge

o não esquecido disse...

Lisboa dos meus verdes anos que são os nossos...
Obrigado

Teresa Durães disse...

Fotos e um poema de EA. Lindo!