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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

No Amanhecer de Ti



No amanhecer de ti cabem
todas as janelas
porque és a dimensão
onde as viagens são possíveis
e deixas uma sombra
de castelo encantado
na meia luz das salas
onde o teu corpo passa
dá-me a tua mão
e veste-me de ti
quero partir sem medo
quero partir sem mágoa
na estrada dos teus olhos
onde as pedras são de água.
(in O Despertar dos Verbos, Mário Domingos)
.
Até sempre, meu Amigo Poeta.
Partiste sem medo
.
Nocturno Op.32 No.9, Il Lamento e la consolazione, Chopin (Maria João Pires)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Solidariedade

Vamos, dêem as mãos.
Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse medo, essa raiva?
Porquê essa imensa barreira
entre o Eu e o Nós na natural conjugação do verbo ser?
.
Vamos, dêem as mãos.
Para quê esses bons-dias, boas-noites,
se é um grunhido apenas e não uma saudação?
Para quê esse sorriso
se é um simples contrair de pele e nada mais?
.
Vamos, dêem as mãos.
Já que a nossas amargura é a mesma amargura,
já que a miséria para nós tem as mesmas sete letras,
já que o sangrar dos nossos corpos é o vergão da mesma chicotada,
fiquemos juntos,
sejamos juntos.
Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse medo, essa raiva?
Vamos, dêem as mãos.
(Solidariedade, Mário Dionísio, in Poesia Incompleta)
.
Ask me now, Thelonious Monk