Estou aqui há dez minutos e ele não se mexe! Foi mesmo um fracasso, esta caçada...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Tecendo rendas e amizades em Vila do Conde
Vila do Conde, cidade luminosa envolvida em águas e enformada na história granítica dos seus edifícios bem conservados, é como uma senhora idosa e sofisticada que serena e graciosamente se deixa descobrir.
Comecei por descobrir que foi espoliada dos seus estaleiros navais pela indiferença e incúria criminosas de alguns homens. Dessa arte destruída nos dá testemunho orgulhoso o Museu da Construção Naval, instalado no magnífico edifício da Alfândega Régia.
Por fim descobri a dignidade e a elegância das suas ruas estreitas e dos largos silenciosos.
E , mais importante que tudo, descobri que uma cidade não nos serve de nada se não partirmos com a certeza calma de termos começado a tecer, de forma lenta mas segura, uma renda de amizades com os nossos anfitriões.
Valeu a pena a viagem!
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Sophisticated Lady, Duke Ellington
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Viagens
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Ironia, singularidades e beleza
E se, ao sair à rua na manhã do último dia de Abril, se vir a cidade transformada numa enorme feira da ladra, ao mesmo tempo que um carnaval inusitado e cor-de-laranja desfila pelas ruas e canais apinhados, não há que ficar admirado: são apenas os Amsterdamers a festejar o seu dia nacional.
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These foolish things, Charles Mingus (Mysterious Blues)
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Amsterdam
sexta-feira, 6 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Canção
Veio um rapaz e pediu-mo
-mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
-mãe, dou-lho ou não?
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Eugénio de Andrade, Primeiros Poemas
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Love Theme from Romeo and Juliet,Tchaikovsky(Berliner Philharmoniker,Karajan)
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´Poesia Eugénio de Andrade
terça-feira, 26 de abril de 2011
Para que não me esqueça...
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
Eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O retrato adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa:
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha – queres ouvir-me? –
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda ouço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio de um laranjal…
Mas – tu sabes – a noite é enorme
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
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(Eugénio de Andrade, Os Amantes sem dinheiro)
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Eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O retrato adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa:
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha – queres ouvir-me? –
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda ouço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio de um laranjal…
Mas – tu sabes – a noite é enorme
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
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(Eugénio de Andrade, Os Amantes sem dinheiro)
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(Tento não esquecer,filho. Até amanhã)
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It never entered my mind,Miles Davies
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