domingo, 12 de abril de 2015

Posturas...

 
 Que bem se está aqui em cima, DonaMinha!

 
 Consigo ver os inimigos antes que eles me vejam!
 

Estou tão seguro, tão senhor de mim!
 Nada que chegue a uma posição de topo!

 
 Oh melro ordinário, caluda e salta daí, qu'isto é meu!
Gentinha...

 
Ah, que beleza o meu jardim visto de cima!
Uma quê, DonaMinha? Metáfora? Não percebi...
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Sweet and lovely, Thelonious Monk / John Coltrane
 
 
 


domingo, 5 de abril de 2015

Sabedoria



Eu estive, por exemplo, durante sete anos sem poder ler um livro. E tive de me dedicar a pensar e a repensar o que tinha vivido e o que tinha lido. E acostumei-me a conversar com o homem que trago dentro de mim. Esse é um trabalho quase esquecido. Falamos com qualquer pessoa, e, no mundo da informática, falamos com qualquer um de qualquer lugar, mas quase não falamos connosco mesmos. Isso fez-me repensar e revalorizar uma série de coisas. Todos temos um tesouro cá dentro, com coisas que fomos guardando das quais nem sequer estamos conscientes.
A revelação é quando as redescobrimos. Ficam gravadas numa magnitude que não tínhamos percebido.
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(excerto de entrevista de José Mujica concedida ao Expresso e publicada a 07/03/2015)

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Nocturno para piano no.20 Reminiscence, F.Chopin
(Maria João Pires)



domingo, 29 de março de 2015

Muro aberto


É o muro que nos separa dos vizinhos.
Melhor: é a cerca que nos acerca dos vizinhos.
Uma cortina de renda verde em fundo azul,
morada de pássaros e de vento.

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Lyric Waltz, Jazz Suite no.2, Dimitri Shostakowich,
Concertgebouw Orquestra Amsterdam

sábado, 21 de março de 2015

Sinto Frio



Sinto frio e estranho-me.

Vejo o sol e tenho frio.

Um frio que me ficou de há muito, de um
tempo finito de encostas soalheiras,
de campaínhas azuis, de morangos maduros.

É um frio opaco, de despedidas e desilusões,
de cumes gelados, de abraços esquecidos
nos jardins da infância.

Um frio de animais abandonados nas bermas,
e quem diz animais diz irmãos, amigos,
expostos à devora, à avidez da nova selva
que não tem fim, não tem fim.
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(in O Livro dos Cansaços, Licínia Quitério)
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Comme une absence, Anouar Brahem

terça-feira, 17 de março de 2015

Chegaste!


 
 
Pousaste, risonha, no nosso jardim.
 Eu te saúdo, Primavera!
 
 

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Spring is here, Bill Evans Trio

domingo, 8 de março de 2015

Lutos



Morrem os valores mais eternos.
Morre o país, à míngua de respeito.
Morrem amigos insubstituíveis.
 Morrem até velhas árvores no jardim!
Como gerir este campo de perdas?
Como resistir a esta cortina de tristeza?
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Eine kleine Nachtmusik, Mozart, Berliner Philharmoniker (Karajan)



domingo, 1 de março de 2015

In-Certezas



Árvores nuas, vento cortante,
céu pesado de chuva.
Quase noite a meio da tarde!
E por um momento, efémero e belo,
o arco-íris a pôr tudo em causa!

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Come rain or come shine, Bill Evans Trio