terça-feira, 22 de julho de 2008

Verão maduro











O Silêncio




Dai-me outro verão nem que seja
de rastos, um verão
onde sinta o rastejar
do silêncio,
a secura do silêncio,
a lâmina acerada do silêncio.
Dai-me outro verão nem que fique
à mercê da sede.
Para mais uma canção.


(Eugénio de Andrade, in Rente ao Dizer)

33 comentários:

cuco disse...

Neste silêncio
Dai-me, senhora, este verão
nem que seja o único,
onde sinto o rastejar
do trompete do Coltrane,
mitigando o calor do silêncio,
o vazio do silêncio.
Dai-me, senhora, este verão,
e outros se não pço demais...,
nem que fique à mercê da sede
e dos invernos
e do que os posts não dizem.

Lúcia disse...

"Para mais uma canção" - Este Eugénio... cada calafrio...
Belo post, Justine
Beijinhos

Pitanga Doce disse...

Este céu que quase encosta na terra só pode ser no Alentejo. Estou errada, Justine?

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá!

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo.

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano (obrigatório, porque vindo da Universidade).

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

E venho pedir-te o teu telemóvel (celular) para poder contactar-te mais facilmente, a fim de implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que, como já sabem, é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os nossos dois Países fraternalmente ligados. No que estou, pela minha parte, a desenvolver todas as diligências que, naturalmente, me forem possíveis.
E, naturalmente também, para poder enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior).
Já solicitei a colaboração da Embaixada de Portugal em Brasília, que tem à frente dela um diplomata fora de série, o meu querido Amigo, Dr. Francisco Seixas da Costa e na qual se integram mis dois bons Amigos de longos nos: o Adriano Jordão e o Carlos Fino. Seixas da Costa criou um blogue magnífico Embaixada de Portugal no Brasil, www.embaixada-portugal-brasil.blogspot.com, que vos recomendo vivamente visitar. Tem tudo sobre as relações entre as duas Nações. Espero fazer o mesmo com a do Brasil em Lisboa.
Este é um desejo que já ultrapassa a simples intenção. Ambiciosamente, neste momento possui muitos comparticipantes – como desejo que seja o teu caso. Mas, com o empenhamento, a ajuda, o entusiasmo e a alegria que tenho encontrado – iremos longe. A internet (apesar dos aspectos negativos que ainda apresenta) tem uma força incomensurável e desenvolvimento tecnológico que se actualiza dia a dia.
Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

PS 1 – Quando navegarmos em velocidade de cruzeiro, quero alargar o Travessa aos outros PALOP. Que achas?
PS 2 – Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…

João Videira Santos disse...

É no silêncio das imensas planicies que o sol arde e a terra abre chagas à plenitude do verão...
Pelas fotos, pelos sentidos que leio nas palavras...gostei!

jasmimdomeuquintal disse...

justine
adorei a tua selecção de fotos e a poética também, claro!
bjocas

Rosa dos Ventos disse...

Palavras para quê, Justine?
É Eugénio de Andrade mais a tua sensibilidade...

Abraço

mdsol disse...

Como eu gosto deste poema do Eugénio de Andrade! Nunca me canso de o reler! E sabes? Já o coloquei duas vezes lá no meu canto! Mas, é sempre um prazer relê-lo... também aqui com o enquadramento destas fotografias, que lhe acrescentam novos sentidos.
:)

um Ar de disse...

Acho que o Eugénio de Andrade iria gostar destas imagens associadas ao seu poema...
.
......
.
A inebriante força da Terra - Mãe... no esplendor de um Verão!
.
[Beijo....@]

pinguim disse...

Eugénio de Andrade não era alentejano, mas a sua poesia não tem fronteiras, ainda menos, regionais, e que bem casam estas fotos com as suas palavras, e já agora com Coltrane...
Beijinhos.

BlueVelvet disse...

Ai, O Alentejo, Eugénio de Andrade e esta música é muito para a minha pobre alma que hoje está demasiado cansada.
Acho que vou ficar por aqui mais um bocadinho.
Posso?
Beijinhos

Duarte disse...

Campos de verão donde a messe seca serve de pasto. Paisagem árida, faminta, marcada pela canícula.
Atenua, enriquecendo o conjunto, uns versos que só Eugenio pôde criar, e que tu, tão sabiamente, elegeste para decorar a campina, dum verão maduro.

Gostei muito

Abraços desde Valência

Vieira Calado disse...

Registo o excelente enquadramento para o belo poema.
Cumprimentos

Maria disse...

Que beleza, Justine...
Como o Alentejo "casa" bem com as palavras de Eugénio...

Um beijo

M. disse...

Belíssima esta "escadaria".

TINTA PERMANENTE disse...

Contagiante, esta sede de imagens e palavras!...

abraços!

Fernando Samuel disse...

A lâmina acerada do silêncio... lá onde a terra acaba e o céu começa...

bettips disse...

Sabemos o que encontramos e onde, querida Justine. Essa é uma alegria que irrompe nos silêncios.
Até nos meus...
Um beijo, amigaminha

~pi disse...

dai-me uma deixa

uma sede uma raiz

sem fim

dai-me esse espaço

onde leite me deite

onde me seja

onde me diga

em mim


~

poesianopopular disse...

A poesia do Eugénio de Andrade... as fotos... a musica!
Olha...fico com tudo, OK

samuel disse...

É bonito... mas tem dias em que é demais.

jawaa disse...

Lindíssimo post.
Beijinhos e... boas férias!

Carla disse...

dai-me o sol e o seu brilho intenso
dai-me o brilho das mãos...na areia da praia
dai-me um novo verão onde os sentimentos sejam quentes como qualquer verão que se preze

...lindo trabalho
beijos

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Justine, belas fotografías...Belo poema...Espectacular...
Beijos

Sal disse...

Ai que bom passar por cá.
Que bom ler Eugénio, que bom ver estas fotos, que bom..

beijinho

mariam disse...

gostei muito! de tudo!

um sorriso (amigo) :)

mariam disse...

gostei muito... as cores quentes... o silêncio feito canção. obrigada.

bom resto de semana
um sorriso :)

GR disse...

Tanta beleza.
Como Eugénio gostava do silêncio Alentejano.
O teu olhar é prodigioso!

Bjs,

GR

Eyes wide open disse...

Uma bonita paisagem desenhada pelas palavras de Eugénio de Andrade...


*

vida de vidro disse...

As palavras de Eugénio de Andrade e a beleza incomparável... do Alentejo (?). Perfeito.

dona tela disse...

Voltei!!

Já tinha saudades.

heretico disse...

verão de cigarras. ardentes...

belíssimo.

Estranha pessoa esta disse...

Bonitas imagens....

"A lâmina acerada do silêncio..."

...

Um abraço.