domingo, 21 de setembro de 2008

Sobre a sombra




Era Setembro, era onde a sombra roi os ramos. Os corpos são mais jovens nestas dunas, e só os jovens nos podem ensinar. Por isso os procuramos, e a pergunta é sempre a mesma - como se morre? Envelhecer não é assim tão simples, por mais que digam. Quantos dias de sol o declínio nos reserva? Por quanto tempo poderemos amá-los, a esses jovens, sem os ofender? Esta alegria de noutros corpos sermos ainda alguma juventude, como guardá-la, sem a degradar?


..



(Eugénio de Andrade, in Memória doutro rio)

40 comentários:

BlueVelvet disse...

Envelhecer não é assim tão simples, por mais que digam...Ah grande Eugénio de Andrade!
Passo a vida a dizer isto, mas claro que a mim ninguém me ouve:(
Beijinhos e bom domingo

Azul disse...

Olá caro Justine!
Venho solicitar-lhe participação numa acção solidária para com as crianças em tratamento no IPO de Lisboa. São precisos Pijaminhas, chinelos, pantufas ou robes para entregar lá, dado que com os tratamentos estes bens essencias se degradam com facilidade. O Objectivo a que me propus para participar será o de reunir 100 destes pertences, o mais breve possivel. Agradeço que divukgue esta informação pelos seus contactos pessoais e aqui na blogosfera. Poderá entregar directamente no IPO ou mandar ao meu cuidado (Drª Maria Corado) para Calçada Ribeiro dos Santos, 37 - 1º andar, em Lisboa. Eu farei as entregas que chegarem.

Obrigada pela divulgação e colaboração. Bem haja. Até breve Azul.

Rosa dos Ventos disse...

As sábias reflexões de Eugénio de Anddrade aliadas às tuas imagens têm que dar um belíssimo conjunto!

Abraço

Aqui ao lado disse...

É bom passar por aqui (mesmo que ali ao lado...), ver as imagens, ler Eugénio de Andrade, ouvir Chopin. É bom, é repousante.
Como se morrer? Brel dizia que se estava nas tintas. Envelhecer? Ah! isso sim, isso, perturbava-o.

Apeteceu-me mesmo fazer um post ao lado deste. Sempre ao lado. E de mãos dadas. J'arrive?

Duarte disse...

Folhas que perdem o tom, amarelecem, prova de que entram no seu crepúsculo. Terra seca, barrida pelo vento. Excelentes fotografias, oportunas e adequadas para ilustrar o tema.

"como se morre?" No fim dum ciclo. Exceptuando quando determinada anatomia não resiste às adversidade que se lhe impõem: doença, caída rítmica, acidente, etc.

"envelhecer" isso que é? Tenho que consultar com uma enciclopédia. Mas se é o que imagino, digo-te que lá para os cem anos de vida começaremos a entrar numa decadência de fulgores e, então, creio que é a hora de chamar ao médico e pedir-lhe uma ajudinha para ir indo dignamente.

"Quantos dias de sol o declínio nos reserva?" Todos os que queiras Justine. Por aqui pode que muitos, pois dizem os homens do tempo que vamos ir aumentando a temperatura ambiente. Estes dias até muito, ainda que hoje chove, mas no ambiente político, concretamente no económico.

"Por quanto temo... sem os ofender'" Sempre querida amiga. Ainda que a convivência seja dificultosa. Pisam com poderio, sem olhar a quem, e estão dispostos a aniquilar ao que está ao lado. Há tempo que optei por passar, convivo mas sem direito a roce, tento passar desapercebido.

"Esta alegria de noutros... sem a degradar" Só existe uma opção se o corpo suporta e aguenta o invite do dia a dia. Comida sã. Descanso adequado. Manter activo o intelecto. Exercício físico moderado e adequado. Sorrir abundantemente durante o maior tempo possível, mas com um sorriso franco, depura gargalhada.

Bom, isto é precisamente o que tenho previsto fazer a partir de novembro quando iniciarei a minha reforma.

Se te fui útil sentir-me-ei feliz...

Em cada momento nasce a tua vida, enche-a de luz.

Li um livro, lá para o dois mil um, que então foi de grande utilidade para mim. A posterior reli alguns capítulos, e sigo considerando-o como o livro ideal para a mesinha de cabeceira. CORTA Y VUELA, DE FERMÍN ZUBIRI, EDITADO POR MENSAJERO.

Um grande abraço e cá te espero.

cristal disse...

Como sempre, muito belo. E continuo a não poder ouvir a música...

Mar Arável disse...

Eugénio de Andrade

sabia do que falava

intimidades disse...

por enquanto adoro envelhecer cada dia descubro algo novo em mim

Jokas

Paula

mdsol disse...

Poizé! Que posso eu comentar? Dizer que está aqui uma síntese muito interessante e bonita de coisas importantes? E, ainda por cima fui mãe em Setembro... neste virar do Setembro...
beijinhos, muitos, muitos

Patti disse...

O Eugénio deve andar todo contente, já é a terceira vez hoje que o vejo pelos blogs.

Bom sinal, bom sinal.

batista disse...

ver o post da “saudação do sol” e depois acompanhar trecho de Eugênio Andrade foi, de certa forma, estranho e salutar. no primeiro, senti-me leve desde a primeira imagem... e o riso me acompanhou até o final. quanto ao segundo post, mui bem escrito, sem dúvida! – mas, por uma questão filosófica, por não acreditar na morte, parte das questões levantadas não me inquietaram. fascina-me a vida e não a ilusão da vida.

deixo um abraço fraterno.

Fernando Samuel disse...

Como guardá-la (essa alegria...) sem a degradar?...

É Eugénio de Andrade... e pronto.

Um beijo amigo.

Teresa Durães disse...

contrariando EA. não sinto que envelhecer seja difícil

poesianopopular disse...

O envelhrcer, rouba-nos todas as faculdades excepto a experiência, mas, para que queremos a experiência, se não temos faculdades para a pôr em prática.
A realidade, é dura! Valha-nos São Chopin!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não sei se saberei envelhecer, mas acima de tudo espero que os jovens saibam respeitar os velhos e extrair deles a sabedoria da experiência.
A verdade,porém, é que olho à minha volta e fico muito céptico, quando vejo o comportamento de alguns jovens. Princip+almente, quando têm responsabilidades na vida política do nosso país.

um Ar de disse...

Pois... mas, os jovens também morrem, prematuramente... sendo assim.
.
... e a pergunta poderá ser outra - como se vive? [que não deixará de ser a mesma...]
.
E não será preciso guardar a alegria de sermos jovens noutros corpos...
.
[Beijo :)]

greentea disse...

degradamo-nos ou rejuvenescemos em cada dia ???????????????????????????



preciso de uns exercicios de yoga com o teu gato e depois um spazinho , para aconchegar a alma ...

beijos

DE-PROPOSITO disse...

onde a sombra roi
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A sombra, que ora nos persegue, ora nos foge.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

Lúcia disse...

Estas divagações que nos atormentam sobre o fim...
E o Eugénio que tão bem as traduz...
Mas quem sabe responder? Há quem prefira não pensar nisso. Mas há um momento ou outro que é inevitável, né?
Beijinhos

Pitanga Doce disse...

É o tempo de mais uma mudança. O Sol vai se esgueirando para outros lugares e aí vai deixando um rastro de amarelo e castanho dourado. É tudo tão suave que nem damos conta e quando vamos ver...a vida passou.

Maria disse...

Que calma venho encontrar aqui...

Obrigada , Justine. Por tudo.

Um beijo

com senso disse...

Há textos de uma perfeição tal, que me fazem sentir muito, muito, muito pequenino!
Copiei-o e guardei-o para o reler e acho que vou ter que ler a obra de onde ele foi retirado.
Simplesmente fascinante esta formade falar do receio de envelhecer, e do desejo de tentar sentir nos outros a juventude já perdida.
Há aqui uma calma amarga e uma lucidez perante os factos mais crus da vida, descritas de uma forma tão sublime que só tenho de lhe agradecer muito o ter trazido aqui este excerto!
Muito e muito obrigado!
Um beijinho com amizade!

mariam disse...

Justine, antes de comentar essa prosa poética magnifica, fiquei sensibilizada com o apelo feito pela "Azul"... vou contribuir dentro do que me for possível, já numa dada altura, acho que há dois anos, também contribuí, entreguei a uma Senhora que recolheu... mas foram vídeos (para as crianças se entreterem...)

agora o post,
Olhe, há lá coisa mais bela, que observarmos um rosto sereno e com rugas, dessas, que traduzem a esperiência, o caminhar p'la vida...naturalmente... Rosa Lobato Faria, dizia mais ou menos isto, se durante a vida formos mobilando bem as nossas assoalhadas, envelhecer é bonito, eu acrescento, se gostarmos de nós e formos arrumando bem as nossas gavetas, envelhecer é bonito...

um grande sorriso :)

mariam

ah!essa fotos, que maravilha! parece uma escultura d'areia...natural... como envelhecer, afinal...

mundo azul disse...

...realmente envelhecer não é tão simples! Mas, se valorizarmos mais os prós do que os contra, ainda sairemos ganhando... A maturidade nos traz uma nova paisagem!
Sem grandes ambições, aprendemos a amar as pequenas coisas que o dia nos oferece.


Beijos de luz e o meu carinho!!!

Carla disse...

envelhecer não é mesmo fácil, por muito que digamos ao nosso corpo que é apenas mais uma etapa da vida. Gosto dos meus anos, mas sei que chegará o dia em que eles ficarão pesados e aí pergunto-mo como continuarei a gostar deles?
beijos

M. disse...

Muito belo, Justine. A escolha das fotografias muito boa.

samuel disse...

Infelizmente é o que fazemos a tantas das nossas alegrias. Por desatenção e/ou preguiça, deixamos que se tornem banais...

Abreijo

Justine disse...

AMIGA(O)S TODOS
1.Coloquei este texto do Eugénio de Andrade porque o considero uma pérola, e me fascina a sua perfeição. Não porque concorde com ele - envelhecer é normal e pode ser muito bom, se soubermos...

2. Solidária com o esforço da AZUL para dar algum conforto a essas crianças doentes, vou corresponder ao pedido e convido-vos a fazer o mesmo. Obrigada, Mariam:))

Sal disse...

Tenho pensado nisso.
Eugénio, como sempre, pensou e escreveu tudo antes de todos nós...

beijinhos

firmina12 disse...

sou muito do que sou por culpa de Justine e de todo o Quarteto de Alexandria, que li ais quinze anos

Violeta disse...

Eugénio de Andrade...
Quantos dias de sol o declínio nos reserva? esta é uma pergunta que requer alguma meditação.
bjs

Licínia Quitério disse...

Viver é envelhecer, não é?
Há um tempo de não dar por isso, há outro de nos causar medo, há ainda outro de aceitar, na sucessão dos dias.
Dizê-lo, como Eugénio, é outra coisa.

Beijinho.

dona tela disse...

Aqui há gato!

Beijinhos.

as-nunes disse...

Mesmo no Outono da Vida, podemos viver com a intensidade mostrada nas fotografias... e no texto.
Seguir este exemplo, pode ser o melhor dos caminhos a trilhar até ao incógnito do fim...
Bj
António

~pi disse...

beijando-a com os olhos e a boca muitas vezes,

todas as possíveis e impossíveis vezes.

.as sim :)




~

mena m. disse...

Quais são as fases fáceis da vida, a partir do momento em que somos nós a escolher o nosso caminho?

legivel disse...

Caro Eugénio:

Bem gostaria de poder responder à tua questão mas... estou como tu: a zero. Pior ainda: é que eu tenho o terrível(?!) convencimento que não preciso de me rever nos mais jovens. Sou tão jovem, ou mais do que eles. Julgarás decerto que estou doido varrido, sabendo tu a minha idade. Mas os últimos relatórios médicos, afimam-me são como um pero e em tal forma física que por um pouco me iam mandando numa daquelas missões da kapa-4. Tive de lhes mostrar o meu BI...
E ainda ontem o nosso primeiro, quando me viu junto de uma daquelas escolas que visitou, veio lesto ao meu encontro para me dar um Magalhães. Não fosse um daqueles do imenso séquito avisá-lo "ó senhor primeiro! olhe que isso é só para distribuir no interior da escola... " eu agora estava com um navegador nos braços...
Não te quero maçar mais por hoje, mas na verdade se envelhecer "é isto", então eu ainda vou "cá estar" para presenciar a tal sociedade fraterna e justa que me andam a prometer desde que me conheço.
Vou terminar que a Amélia já aí vem com os comprimidos da noite numa mão e a arrastadeira na outra. Do copo de água nunca se lembra ela...

Um abraço, estejas onde estiveres.

Gilbamar disse...

E os jovens continuam a nos ensinar tantas coisas que nós só aprendemos quando eles crescem.
Passear por seu blog nos proporciona uma linda viagem. Volto mais.

Abraços

Gilbamar de Oliveira

Gilbamar disse...

E os jovens continuam a nos ensinar tantas coisas que nós só aprendemos quando eles crescem.
Passear por seu blog nos proporciona uma linda viagem. Volto mais.

Abraços

Gilbamar de Oliveira

pinguim disse...

Quando nos vamos aproximando do tempo de sermos velhos, que é bem diferente de envelhecer, estas palavras de um escritor/poeta que não cessa de me maravilhar, ganham algum peso, mas só na memória dos belos tempos já idos...
Beijinhos.