terça-feira, 16 de setembro de 2008

BACO




Andava por ali o deus das Uvas.
Por trás de cada cepa se ocultava.
Tinha os pés disfarçados em raízes
que prendiam a terra virilmente.
Tinha os olhos nos cachos reflectidos.
E a firmeza das parras acusava
que escondiam seu sexo omnipotente.



--
Sebastião da Gama, Cabo da Boa Esperança




..
(Blue in Green, Miles Davis)

37 comentários:

aqui à espreita disse...

... e o deus das Uvas e o Baco (estas maiusculas!), e os pés (disfarçados em) raízes viris, e o sexo omnipotente (escondido nas parras), e os olhos nos cachos (das uvas para disfarçar)... 'inda te fecham o blog.
Depois não te desculpes com o catolicismo do Sebastião da Gama, nem com o Miles Daves.

Lúcia disse...

E eu, que gosto tanto de Sebastião da Gama, não conhecia este! Post de Outono. Que bom. Já apetece a encharpe nos ombros e sentir o cheiro do mosto.
Beijinhos

pinguim disse...

Que bom ler Sebastião da Gama; é tão raro, por aqui...
Beijinhos.

mena m. disse...

Fermentado com estes versos de Sebastião da Gama e envelhecido ao som de Miles Davis dará uma vintage perfeita!!!!

Eu prefiro comer as uvas!

Beijinho

Tinta Azul disse...

Um vinho de belas notas redondas...
Provei e hummm gostei
:)

BlueVelvet disse...

Gosto tanto desta época!
Tráz-me recordações de uma infância feliz em que me davam um cestinho e lá ia eu também apanhar uvas com quem ia vindimar.
Mas o melhor de tudo era pisá-las.
Bons tempos que não voltam...
Beijinhos e podes continuar a cantarolar-me:))

bettips disse...

Pinturas, paletas pelos campos...
Os tons dos frutos.
O riso do poeta, tudo lindo !!!
Bjinhos

Fernando Samuel disse...

Evoé Sebastião da Gama, evoé Poeta!


Um beijo.

cristal disse...

Das fotos e das palavras posso dizer qe adorei... mas tenho pena por não conseguir ouvir o Blue in Green (aqui).

r_ogeri_o disse...

hehehe

Duarte disse...

A vindima já passou,
foi a cores, isso creio!
Os mostos fermentam,
temos vinho doce.
Alegrai-vos, gente,
que é São Martinho...

Ao Deus Baco

Para ti

Un grande abraço

Rosa dos Ventos disse...

Belo poema do poeta da Arrábida e umas imagens de fazer crescer água na boca!
Adoro uvas, mas também não digo não ao respectivo sumo!

Abraço

intimidades disse...

um bom vinho, um bom jantar, uma boa companhis

nao ha melhor

Jokas

Paula

Violeta disse...

Bela uva...

poesianopopular disse...

Sebastião da Gama, o poeta da Serra mãe, e meu vizinho de Azeitão, bela obra a do poeta.
abraço

Multiolhares disse...

Uma delicia,ve-las crescer o serem apanhadas, um lindo ritual
beijos

Belisa disse...

Olá

Ah! Uvas que delícia!
De comer e chorar por mais
De ler e ver a notícia
De Baco e de outros mais...

Beijinhos estrelados

samuel disse...

Olha... agora fiquei com mosto quente até ao meio da coxa, os risos das primas, a amizade sã daquela família e vizinhos... no lagar da minha juventude. Saudade...
Obrigado!

Abreijos

Teresa Durães disse...

e Bacus espera contente!

legivel disse...

oh deus baco!
juro que não minto,
estou feito num caco
abusei do tinto.

já nem te distingo
dissimulado na vinha
nem sei se é domingo
que desgraça a minha.

eu bem esfrego os olhos
só vejo uvas aos molhos
mostra-te lá à gente
ó deus omnipotente.

desconfio que tal fama
vai cair p´la rama
e vás dar uma curva:
muita parra pouca uva.



Não sei o que é que se meteu na cabeça que ultimamente só me dá vontade de rimar neste aprazível sítio. Mas podia-me dar para pior não é?
Um abraço para ti e uma festa ao gato mágico.

mdsol disse...

Bonito e oportuno e gostei muito!
beijinhos
:)))

Pitanga Doce disse...

Este ano não pude ficar para as vindimas. Que pena! Para o ano!

beijos com chuva

Rui Caetano disse...

Faz-me lembrar as uvase os cachos debaixo da latada de meu pai.

~pi disse...

tão boa esperança

tão... :)




bem, ía entusiasmada,

mas o comentário do legível

já me deixou com... dúvidas!

ora bolasssssssssss!!! :)




~

.[P].a.[R].ente disse...

Muiito boa a história sobre as uvas. rs
Vou pesquisar sobre esse autor, não o conhecia ainda. Huumm... Confesso que fiquei com vontade de comer uva agora. hahah.

Abraço.

Mar Arável disse...

É justo dizer que o vinho

é moscatel

JPD disse...

Boa escolha, Justine.

O SG está um pouco esquecido.
É pena.
Escreveu belíssima poesia.
Bj

salvoconduto disse...

Fizeste-me lembrar os meus tempos de criança nas vindimas do Douro, com a tesoura de poda na mão. Só que com o sol a bater na cabeça de vez em quando refugiava-me debaixo das videiras e ouvia, perto, a voz do meu tio: está ele com dor "de lombar", logo no lagar passa-lhe tudo.

Abreijo

instantes e momentos disse...

lindissimo post. Parabens.
Tenha um belo dia
Maurizio

Carla disse...

não conhecia as palavras, por isso encantei-me com elas
beijos

lili-gata disse...

miaaauuu...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Que bela evocação para este setembro que me traz sempre à memória o Douro!

1/4 de Fada disse...

Imagens belas ao som de óptima música e ainda por cima com Sebastião da Gama! É um prazer vir aqui.

mariam disse...

Não conhecia este frenético poema, onde S. da Gama tão bem descreve Dionísio...

relembrou-me as berças e a casa grande do meu avô materno(era assim que lhe chamava-mos), o pisar encarnado das uvas, o cheiro do mosto correndo, a grande trave do lagar, as pipas e aquele cheiro acre das mechas do enxofre...
Obrigada!

um sorriso :)

lili-gata disse...

justine,
muito obrigatinha! Lambeijão!!!

mundo azul disse...

Que modo especial de descrever a parreira!
Belo poema! Gostei daqui...


Beijos de luz e o meu carinho...

mariam disse...

"chamávamos" :)